22.7.07

Suspiro de um palhaço


Não achava que era uma menina muito romântica, até o dia em que assim me descobri. Percebi o quanto gostaria de preencher páginas de minha vida com episódios românticos, no dia que passei a prestar mais atenção nos meus devaneios de menina moça. Suspirava a cada beijo apaixonado das novelas, suspirava toda noite ao deitar pra dormir, suspirava ao ler os romances românticos e o coração palpitava forte ao ler dizeres apaixonados. Nos meus devaneios, os rapazes me encantavam e meu coração acelerava tão forte como se uma escola de samba estivesse passando quando a multidão gritava em histeria. Mas eu só ficava a suspirar... No chão de todo dia, quase ninguém me encantava. Poucos dos rapazes que cruzaram minha vida, tinha um brilho especial. Eu até tentava me encantar, admirar, mas sempre os achava ocos, vazios e ainda, dissimulados, robôs que diziam sempre as mesmas palavras bonitas e programadas com o doce objetivo de apaixonar meninas românticas. Comigo parecia não funcionar, porque cada palavra dita pelo típico "gogó" só fazia eu me distanciar mais dele. Ao longo dos meus 21 aninhos, me encantei umas duas vezes apenas, é verdade. Tanto que às vezes me perguntava se o problema era comigo. Uma tia dizia que eu não arrumava um namorado porque era muito exigente. Será? Acho que não. Só não consigo forçar um envolvimento como muitas meninas, só porque estou sozinha. Antes mesmo se divertir e paquerar os meninos robóticos que sempre aparecem pelo caminho. Enquanto isso, espero meu certo alguém cruzar o meu caminho. Fico esperando o dia em que irei me apaixonar. E fico a sorrir que nem o palhaço, que esconde em cada riso, a solidão do seu coração.

5.7.07

Tai


É ela assim
Um dengo de pessoa
Cuidando de mim
Com seu jeitinho fofo
Foi chegando de mansinho
e me encantando enfim
É ela assim
Uma borboleta
que lançou poléns de amizade
quando pousou no meu jardim
floriu o bosque da vida
com flores rosas e amarelas
pra mostrar que nosso amor não tem fim

11.6.07

Prazeroso consumo


Depois de bater perna no shopping cheio de gente, X voltava no seu carro de segunda mão e um tanto mais relaxado, disse:
- Como é bom comprar, né?!
Y não respondeu... Pensava quando iria usar sua calça nova. Afinal, melhor que comprar era poder estrear o novo objeto possuído.

7.6.07

Lágrimas do Céu




Chuva...
Um agasalho no corpo,
guarda-chuva em mãos
e um pouco de lama no sapato.

Tilintares no telhado
Edredom, filme e pipoca
Uma combinação perfeita.

Chuva...
Apenas os pêlos do corpo
Papelão como um objeto impermeável
e lama por toda parte.

Um rio de gotas de chuva
Desmoronamento e desesperança
Barracos guiados pela correnteza pluvial.

Chuva? é cama.
É chuva ? é lama.

É caos...

25.5.07

Sonhos misteriosos


Foi um dia cansativo para Lua. Um dia cheio de angústia e pensamentos desnorteantes. Sentada no seu automóvel coletivo de todo dia, relembrava tudo que lhe tinha acontecido naquele mês, tantas mudanças, tantas coisas boas, que aquele dia não estragaria a época de boa fartura de sentimentos que transbordavam sua alma de pura alegria e prazer. Mas, hoje, ela só desejava chegar em casa, tomar uma boa ducha de água forte e quente, aqueles banhos que lavam até a alma, e simplesmente, poder dormir, dormir, sem ter hora para acordar. E foi assim que o fez, tomou banho com sabão de lavanda e camomila, deixando a água deslizar sobre suas curvas, levando com ela toda a espuma branca que cobria o seu corpo. Vestiu sua camisola azul de seda, ascendeu um incenso de maracujá e ligou o som bem baixinho, deixando a voz do velho Chico como um sussurro em seus ouvidos. A temperatura ambiente até que estava agradável. Não precisaria ligar o ar condicionado, que ainda produz um “nhec-nhec” característico. Ter esse barulho competindo com “A Moça do Sonho” não era nada relaxante. Lua se revirava para um lado e para o outro e nada do sono chegar. Talvez o CD já estivesse tocando uma das últimas canções... “Ninguém vai chegar do mar/nem vai me levar daqui...”. E então... Aconteceu mais uma vez. Que loucura é sentir-se flutuar e não saber onde vai parar. Que loucura é ter medo do que pode acontecer, e por isso, não ser dona do caminho. Que loucura é de repente ver um barco passando em terra com passageiros "muito doidos", com barbas gigantes e com milhões de piercings por todo o corpo. Loucura é ouvir uma música relaxante, diferente e, ao som da música, ver um menino dançando uma espécie de frevo, com chocalhos na mão e bandeiras coloridas. Ah... É loucura, de repente, se vê flutuando por entre mini-planetas brilhantes, pendurados por fios de nílon no teto. Encostado à parede, um outro menino, de cabelos curtos e negros, de olhar profundo, esparramado em um puff e, de mansinho, pousar ao seu lado, sentindo uma sensação de fluidez e leveza que jamais sentiu igual. Como um passe de mágica, Lua abre os olhos e se vê diante do seu céu quadrado. Deitada em sua cama, vê que o CD já acabou. Aperta o play novamente. Tudo se passou em questão de segundos. O tempo pareceu não existir. Mas, será que foi tudo sonho ou ela viajou pra "não sei onde" novamente? Dessa vez, ela não tinha provado do fruto colhido no pé de sonhos. “Um lugar deve existir/Uma espécie de bazar/Onde os sonhos extraviados/Vão parar/Entre escadas que fogem dos pés/E relógios que rodam pra trás/Se eu pudesse encontrar meu amor/Não voltava/Jamais”... Chico continuava a sussurrar como quem lhe confidenciava um segredo.