
Mais uma tarde quente, em que depois do almoço, bate uma certa moleza. Lua deita em sua cama para apenas relaxar, para estar sozinha com seus pensamentos. Com o olhar perdido em seu céu quadrado e já não mais ouvindo o jazz que acalma o ambiente, adormece. Ela sabe que esses sonos leves às vezes a levam para um outro mundo. Nem dois minutos de sono e sua respiração lenta se torna ofegante. O corpo todo treme e não é possível controlar. Lua já está consciente, mas não é dona de si. Sente-se flutuar, vê todo o ambiente ao redor, mas não pode falar. Vê sua mão desdobrar-se do seu corpo. Vê seu corpo estirado na cama adormecido.Que angústia. Fica com medo do que pode estar para acontecer. Repentinamente, se encontra em túnel lilás, o qual percorre em fração de segundos. Lua se sente leve. Parece que não há gravidade, ela caminha no ar. O lugar te agrada, sem cores fortes, todo lilás, mas com muita vida. Árvores, campo, lago, céu, lilás. Tudo lilás. Sua única decepção é não encontrar ninguém que pudesse compartilhar essa sensação com ela. Ela precisa saber onde está, que mundo astral é esse, onde a matéria é mais fluida e ela é plenamente feliz? Goza de todo o ambiente e do sentimento que é a única coisa que preenche seu ser no momento. Quanto tempo já se passou? Não tem noção, o tempo parece não existir. Lua nõo sente fome, mas o fruto é tentador, parece muito saboroso. Arranca um do pé. Realmente, é saborosissímo. De novo o transe!!! Seu corpo todo treme e ela se encontra em sua cama. Ninguém à sua volta. Estranho, sempre muito estranho. Seus pensamentos se confundem às sensações. É tão real e ao mesmo tempo tão ilusório. Lua, a parir de hoje, nada de alucinógenos! Fala a si na fremte do espelho.
- Lua, que fruta é essa que não conheço?
- Que fruta, Mãe?
- Essas aqui em sua cama, cor lilás. Posso provar?
- NÃO! Acho que não são comestíveis. Vamos jogar fora.
- Lua, esses frutos são seus sonhos. Cuidado com o que faz com eles.
- O que disse, Mãe?
- Eu? Eu não disse nada.



