30.6.06

Raulzito no Capão



Depois de muito esperar
Enfim no Capão
São Pedro não deu trégua
Só faltou o trovão

A vila está cheia
De muita animação
O coral encantou a todos
Cantando o grande Gonzagão

O sol acorda a todos
É sinal de muita caminhada
De chinelo de couro
Na trilha enlamaçada

Um pouco de cansaço
e uma grande visão
Dificuldades com a mata fechada
E o deslumbre do Gavião

No fim, a grande recompensa
A água gelada e encantada da bela Chapada

Um pouco de morgação
O índio pede apito e um prato de feijão

Na noitada, um bom licor
De tamarindo, maracujá
De jenipapo ou pimenta
Para tudo e vamos prosear

Várias vozes e um violão
É tributo a Raulzito
em pleno Capão

Energia sintonizada
Vozes desafinadas
Novo neon, o homem
Maçã ou o que for
Pode repetir
é Raulzito com muito amor

O nome já dizia
"Para tudo"
Mas meu cunhado não parou
Gugu, seu companheiro
no chão despencou

O Laranja ia dormir
e a mulher de verdade não deixou
Era agora ou nunca
Foi a Mel que rachou

Não deu certo
Cada casal em sua barraca
o "A" e o "R" não se misturam
AA e RR cada qual em seu lugar
É verdade
Nem o alfabeto quis se misturar

Vamos nessa
que por hoje já deu
Tentei contar em versos essa história
porque ela mereceu

19.6.06

Volta na Chapada ou Mudança pro interior


Eu sou luz
Quando quiser saber de mim
Olhe pra mais brilhante das estrelas
e dentro de você encontrará as respostas
Vai saber que não importa o lugar que eu esteja
estarei bem
Pode esperar notícias minhas
Mas existe a chance de eu não voltar
Não é um refúgio
mas um retiro
Talvez em longas caminhadas
a gente se esbarre
Ou quem sabe
em meditações eu chegue até você
No interior, meu interior fica mais acessível a mim mesma
Preciso e quero ir pra lá
Mas talvez a paz seja tamanha
que eu não queira mais voltar
A distância não impede
que as energias estejam sintonizadas
O que é verdadeiro não se rompe
com minutos nem quilômetros
Sei que minhas palavras mostram
o quanto tenho vontade de ficar por lá
Mas acho que não sou tão corajosa
a ponto de não voltar

17.6.06

Posso ser



Posso escrever esses versos
e ser poetisa
Posso dançar pra você
e ser uma exímia bailarina
Posso pintar o sete como ninguém
e ser uma grande artista
Posso cantar no chuveiro
e ser a mais afinada das cantoras
Posso sorrir querendo chorar
e ser uma atriz revelação
Posso chorar e pedir seu colo
e então sou uma eterna criança
Posso negar carinho e cafuné
e ser uma tremenda egoísta
Posso de repente pensar muito mais em mim
e terminar sendo sua inimiga
Posso rir das suas besteiras
e ser uma boboca
Posso um dia ser grossa
sendo a grosseria o meu escudo
Posso um dia dizer que não
e correr aos seus braços dizendo que sim
Posso acordar ao seu lado feliz como nunca
e dormir sozinha, triste como um dia ficaria
Posso pensar em milhões de coisas
e te encontrar em meio delas
Posso tentar escrever sobre diversos assuntos
Mas no fim, se não escrevo pra você
é sobre você
é querendo te esquecer
apelando pra minha melhor terapia:
escrever!