
Foi um dia cansativo para Lua. Um dia cheio de angústia e pensamentos desnorteantes. Sentada no seu automóvel coletivo de todo dia, relembrava tudo que lhe tinha acontecido naquele mês, tantas mudanças, tantas coisas boas, que aquele dia não estragaria a época de boa fartura de sentimentos que transbordavam sua alma de pura alegria e prazer. Mas, hoje, ela só desejava chegar em casa, tomar uma boa ducha de água forte e quente, aqueles banhos que lavam até a alma, e simplesmente, poder dormir, dormir, sem ter hora para acordar. E foi assim que o fez, tomou banho com sabão de lavanda e camomila, deixando a água deslizar sobre suas curvas, levando com ela toda a espuma branca que cobria o seu corpo. Vestiu sua camisola azul de seda, ascendeu um incenso de maracujá e ligou o som bem baixinho, deixando a voz do velho Chico como um sussurro em seus ouvidos. A temperatura ambiente até que estava agradável. Não precisaria ligar o ar condicionado, que ainda produz um “nhec-nhec” característico. Ter esse barulho competindo com “A Moça do Sonho” não era nada relaxante. Lua se revirava para um lado e para o outro e nada do sono chegar. Talvez o CD já estivesse tocando uma das últimas canções... “Ninguém vai chegar do mar/nem vai me levar daqui...”. E então... Aconteceu mais uma vez. Que loucura é sentir-se flutuar e não saber onde vai parar. Que loucura é ter medo do que pode acontecer, e por isso, não ser dona do caminho. Que loucura é de repente ver um barco passando em terra com passageiros "muito doidos", com barbas gigantes e com milhões de piercings por todo o corpo. Loucura é ouvir uma música relaxante, diferente e, ao som da música, ver um menino dançando uma espécie de frevo, com chocalhos na mão e bandeiras coloridas. Ah... É loucura, de repente, se vê flutuando por entre mini-planetas brilhantes, pendurados por fios de nílon no teto. Encostado à parede, um outro menino, de cabelos curtos e negros, de olhar profundo, esparramado em um puff e, de mansinho, pousar ao seu lado, sentindo uma sensação de fluidez e leveza que jamais sentiu igual. Como um passe de mágica, Lua abre os olhos e se vê diante do seu céu quadrado. Deitada em sua cama, vê que o CD já acabou. Aperta o play novamente. Tudo se passou em questão de segundos. O tempo pareceu não existir. Mas, será que foi tudo sonho ou ela viajou pra "não sei onde" novamente? Dessa vez, ela não tinha provado do fruto colhido no pé de sonhos. “Um lugar deve existir/Uma espécie de bazar/Onde os sonhos extraviados/Vão parar/Entre escadas que fogem dos pés/E relógios que rodam pra trás/Se eu pudesse encontrar meu amor/Não voltava/Jamais”... Chico continuava a sussurrar como quem lhe confidenciava um segredo.
3 comentários:
Abilga!!
A cada dia eh uma nova surpresa
A cada dia eh uma nova belaza
Eh bom ter ver escrevendo
Melhor ainda eh viajar no que tou lendo...
Vc sabe que gosto dessas coisas,ne?
E gosto de tudo que vc escreve!!
Sou meio que suspeita p comentar....
Parabens!!
Bjiinhus e mais bjinhus!!1
Aguardo a proxima!!
Lore-xica
Eu queria é poder ir lá pra "Nãoseiaonde" também.
Beijos, abraços e sorrisos.
Postar um comentário