
Da janela eu sentia o cheiro da chuva, olhava cada gota que caía e o barulho que faziam no meu telhado. Cada tilintar, um novo pensamento. Pensava na vida, nas suas etapas. Imaginei-a como uma sementinha que é plantada, e que depois de sobreviver à chuva, ao vento, ao sol, aos poucos desabrocha numa linda flor, trazendo mais beleza ao mundo. E assim, são nossas vidas, sobrevivemos aos obstáculos, nos tornamos resistentes e desabrochamos a cada nova manhã. Então, imaginei a continuação do ciclo e como tudo se encaixava: nascimento, crescimento, reprodução, morte e vida. Tudo no seu devido tempo... Mas, eu não me satisfiz com essa comparação, faltava algo que representasse, para mim, melhor a vida. Lembrei de como ela é tão intensa e passa numa rapidez... pensei em como ela muda a todo instante. A chuva tinha passado, o vento havia levado as nuvens carregadas e o sol aparecia radiante. Então, uma linda borboleta púrpura apareceu em minha janela me fazendo lembrar de como existem seres tão belos. Indaguei-me: como um pequeno casulo se transforma em tanta beleza? como uma borboleta conseguia bater tantas vezes suas asinhas com tanta rapidez? E que pena uma borboleta só viver apenas 24h... Rapidez, intensidade e transformação. O elo estava feito... a minha vida e a borboleta púrpura da janela.


















